O Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES) publicou, em abril de 2026, o mais abrangente diagnóstico nacional realizado até à data sobre a integração da Inteligência Artificial (IA) no sistema de ensino superior português. O relatório, desenvolvido pelo Grupo de Trabalho Digital e IA na Educação, assinala uma mudança significativa no foco do debate: de uma abordagem predominantemente ética para uma perspetiva centrada na governação institucional.
O documento procura responder ao desafio de integrar a IA de forma responsável, garantindo que o uso destas tecnologias não compromete dimensões essenciais como o julgamento humano, a autoria intelectual e a confiança académica. Esta transição reflete uma crescente maturidade do setor face ao impacto da IA no ensino superior.
Os dados apresentados revelam um ecossistema em rápida evolução. O domínio do Ensino lidera a adoção de ferramentas de IA, com 52,9% das instituições a reportarem utilização ativa. Seguem-se a Investigação, com 42,6%, e a Gestão, com 26,5%, indicando uma expansão progressiva da tecnologia em diferentes áreas institucionais.
Para orientar esta transformação, o relatório propõe uma estrutura estratégica assente em três pilares fundamentais. O primeiro, “Saber sobre IA”, promove o desenvolvimento de literacias conceptuais, éticas e epistémicas. O segundo, “Fazer com IA”, enquadra a aplicação pedagógica e criativa da tecnologia, distinguindo entre usos operativos, interpretativos, reflexivos e criativos. Por fim, o pilar “Ser sem IA” sublinha a importância de preservar a autonomia, o pensamento crítico e a capacidade de decisão humana, reconhecendo contextos em que a mediação tecnológica deve ser limitada ou recusada.
Com este relatório, o CNIPES posiciona-se como um agente central na definição de orientações estratégicas para o ensino superior em Portugal, num momento em que a Inteligência Artificial se afirma como um dos principais vetores de transformação académica e institucional.



