12 junho 2023

Conferência: Ensino Superior e Carreiras Académicas | 14 de junho

Conferência: Ensino Superior e Carreiras Académicas | 14 de junho

Nas últimas décadas as instituições de ensino superior têm sido objeto de diversas pressões que as transformaram em organizações prestadoras de serviços com consequências, quer para o ensino, quer para os académicos e a sua situação profissional.
O processo de Bolonha, ao promover um paradigma de aprendizagem centrada no estudante, desenvolveu uma visão utilitária do ensino superior ao serviço da competitividade e crescimento económico. As instituições de ensino superior estão permanentemente sob pressão para fornecerem ao mercado de trabalho licenciados com as capacidades necessárias à economia, capacidades em permanente mudança, avaliadas como resultados da aprendizagem (learning outcomes).

 

Esta exigência de adaptação das capacidades limita a autonomia pedagógica das instituições, criando o perigo de que muitos cursos se foquem no utilitário, de que haja demasiados cursos vocacionais em detrimento de cursos que beneficiem os estudantes e a sociedade, em vez de servirem a economia.
Estas transformações tiveram um efeito negativo sobre os académicos que foram despromovidos de profissionais, a meros empregados, em resultado do seu novo papel de prestadores de serviços de educação e das políticas de patentes que transferiram para as instituições a posse das suas descobertas e produtos intelectuais. Foram, assim, transformados em mera mão-de-obra empregada em vez de orgulhosos profissionais.
O novo papel dos académicos como prestadores de serviços prejudicou a sua de aura de imparcialidade a sua capacidade para gerir as suas próprias instituições passou a ser contestada. Assim, desenvolveu-se uma nova tendência de dar uma voz mais forte aos stakeholders externos na gestão das instituições, o que está em oposição evidente aos princípios da universidade de Humboldt que protegia os académicos de pressões externas indesejadas.
Os governos olham hoje para as universidades como instrumentos de competitividade económica, por um lado porque os produtos da investigação são cada vez mais dirigidos a áreas de proveito económico e, por outro lado, porque os seus cursos são cada vez mais dirigidos a aumentar a empregabilidade dos seus licenciados e a responder às necessidades imediatas do mercado de trabalho. Estes desenvolvimentos tiveram um efeito negativo sobre a autonomia, quer dos académicos, quer das suas instituições, e serão objeto desta conferência.